Economia

35% dos bares e restaurantes fecharam definitivamente

Novo adiamento na reabertura em São Paulo é visto como risco à sobrevivência

Restaurantes

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Perto de completar 100 dias de portas fechadas, o setor de bares e restaurantes enxerga com preocupação o novo adiamento de reabertura feito pelo governo municipal de São Paulo.

O último levantamento realizado pela Associação Nacional dos Restaurantes (ANR) em parceria com a Galunion aponta que 35% dos bares e restaurantes com mais de uma unidade já fecharam lojas permanentemente por conta do isolamento social para deter a pandemia do coronavírus.

Outros 15% dos estabelecimentos afirmaram que não conseguirão manter os seus negócios após a pandemia. A pesquisa foi feita entre os dias 5 e 17 de junho.

Na sexta-feira (26) o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), protelou a reabertura do segmento para 3 de julho.

A previsão inicial era de que os bares, restaurantes e salões de beleza já poderiam funcionar nesta segunda-feira (29), mas Covas afirmou que, por recomendação do Centro de Contingência, as mudanças só aconteceriam se a capital permanecesse nessa fase por uma semana.

Segundo o presidente da ANR, Cristiano Melles, o governo é descuidado com o setor, que já demitiu 1,3 milhão de pessoas desde o começo da pandemia, sendo 600 mil delas de São Paulo.

– Cada semana que passa o número de restaurantes que não conseguirão reabrir aumenta e, se considerarmos o alarme falso de sexta-feira, esse contingente ainda pode subir. Muitos pegaram o pouco dinheiro que tinham para fazer um estoque e reabrir nessa segunda-feira e entregaram os pontos, já que parte dos alimentos é perecível e ainda terá que ser jogada fora – disse Melles.

Outro ponto que preocupa o setor é a falta de acesso ao crédito – tanto por programas do governo como pelo próprio sistema financeiro.

Ainda de acordo com a pesquisa, 76% das empresas que buscaram novas linhas para financiar o negócio tiveram suas propostas recusadas. A mesma porcentagem também já fez uso da MP 936, referente à suspensão ou redução de jornada e salário.

Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Percival Maricato, nem mesmo o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe ), voltado para os pequenos empresários, deve ser de grande valia ao setor.

– Mesmo com esse último programa, ainda há restrição de faturamento, e a maioria não receberá a ajuda. Sem contar as exigências de garantias, que ainda limitam o acesso ao crédito. Isso é um problema tão relevante quanto a retomada. É preciso financiamento para reposição de estoque, recontratação de funcionário e para que o empresário consiga colocar toda essa engrenagem para funcionar – avaliou.

Segundo Melles, presidente da ANR, o segmento também continua em contato com o governo para tentar flexibilizar o horário de funcionamento, ainda restrito a seis horas por dia.

– Pedimos para que ao menos possamos separar, manter o restaurante aberto por três horas durante o almoço e três horas durante a janta. Seria ao menos uma saída, mas nossos pedidos não têm eco. Fazemos reunião, e eles falam que entendem o setor, mas as medidas vêm muito diferentes do que foi conversado – afirmou.

Fonte: *Folhapress

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